UNAVE liga há 30 anos Universidade de Aveiro às empresas através da formação

UNAVE liga há 30 anos Universidade de Aveiro às empresas através da formação.

Empresas tecnológicas estão a recrutar filósofos, psicólogos e historiadores em vez de engenheiros, para contactar clientes e fornecedores.

 

Para licenciados em humanísticas, que se encontravam no desemprego, a saída foi adquirir competências básicas em tecnologias da informação e comunicação (TIC) através da UNAVE, unidade de interface da Universidade de Aveiro que tem trabalhado com o Instituto de Emprego na requalificação de quadros.

 

“Detetámos que pessoas de áreas humanísticas podiam assumir papéis proeminentes nas TIC, a fazer uma série de tarefas em que se desperdiça engenharia. Após uma formação de 300 horas para lhes dar competências básicas nas TIC, colocámos essas pessoas em estágios nas empresas e vão ficar lá”, explicou à Lusa José Alberto Fonseca, que dirige a Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro (UNAVE).

 

A requalificação de quadros é apenas uma das vertentes em que a UNAVE atua, como instrumento de ligação da Universidade de Aveiro ao exterior.

 

Nascida há 30 anos para agilizar a formação, quando o meio académico era ainda pouco aberto ao exterior, a Associação “foi o veículo inicial que mostrou à Universidade que era possível e desejável estar próxima das empresas”.

 

“A formação, em sentido lato, é o primeiro passo para criar ligações e confiança com as empresas, que depois podem levar a projetos e relações mais sólidas”, considera José Alberto Fonseca.

 

Entretanto, a Universidade de Aveiro foi criando outras dinâmicas de ligação ao meio empresarial, nomeadamente a incubadora e as plataformas tecnológicas, que reúnem saberes de origens distintas.

À UNAVE, tal como há três décadas, está reservado o papel de desenvolver formação, quer para empresas, quer para a sociedade em geral, tendo em conta novos públicos.

 

Uma das novidades recentes foi o lançamento dos micro MBA (Master Business Administration) para gestores de pequenas e médias empresas, procurando preencher uma lacuna sentida pelos próprios empresários.

 

“Muitas vezes as pessoas que estão à frente das empresas provêm de áreas técnicas e reconhecem que as competências de gestão não são satisfatórias. Por outro lado não têm tempo para investir centenas de horas, nem muito dinheiro num MBA. É aí que estamos a trabalhar: juntar a gestão às especificidades das respetivas áreas”, descreve o presidente da comissão executiva da UNAVE.

 

Na calha estão ações de formação em línguas, desenhadas para empresários, em colaboração com o Departamento de Línguas e Cultura.

“A língua e a cultura têm grande impacto na internacionalização e temos ‘know-how’ que pode ser útil nesse esforço das empresas se virarem para o exterior”, diz Alberto Fonseca.

Nesse domínio, cabe já à associação a formação à distância de Língua Portuguesa para estudantes internacionais e de aperfeiçoamento para alunos provenientes dos PALOP, com o objetivo de melhorar o desempenho no ensino formal.

 

A UNAVE é também instrumental para a Universidade de Aveiro chegar a novos públicos, através das suas ações de formação, para além do apoio ao acesso ao ensino superior de maiores de 23.

Parte das ações formativas concedem unidades do European Credit Transfer System (SCTS) que permitem a quem as frequenta encurtar percursos e fazer os cursos com algum grau de liberdade, no âmbito do processo de Bolonha.

 

“Todas as ações têm um coordenador científico-pedagógico doutorado na área científica respetiva e com ligação à Universidade, que faz a avaliação do conteúdo programático. Quando essa ação concede unidades de crédito (SCTS), o processo é instruído e submetido aos órgãos universitários competentes, com a chancela do diretor do Departamento da área científica correspondente”, explica José Alberto Fonseca.

 

A UNAVE trabalha em conjunto com associações empresariais, escolas profissionais e empresas de formação, evitando a sobreposição: “Trabalhamos muito na formação de nível universitário porque essa é a nossa praia”, esclarece o presidente da comissão executiva.

Faz também incursão noutros níveis “quando não existe oferta exterior são necessários meios que quase só a Universidade possui”, explica.

São disso exemplo infraestruturas de simulação na área da Saúde, ou de alta pressão na Química, ou ainda o microscópio eletrónico, cuja utilização a UA assim rentabiliza.

 

Notícia / Diário de Notícias